PARA REFLETIR:

Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes.

Paulo Freire

sexta-feira, 16 de julho de 2010

REFLEXÕES SOBRE ESTÁGIO

PALAVRAS INICIAIS




Vivenciar todos esses momentos na escola foi muito especial e por que não dizer essencial para minha formação, já que esta o estágio de regência, torna-se uma das etapas de nossa formação mais importantes, por torna-se um momento de reflexão, ação e reflexão. Não só por esse momento nos proporcionar conhecer a escola como um todo, mas por possibilitar um encontro entre a teoria e a prática.

Para isso o nosso estágio foi divido e/ou organizado em três momentos: observação, diagnóstico e regência. No período de observação tivemos um olhar direcionado para a escola como um todo. Analisamos o portão da escola, a estrutura física, o pátio, o recreio, os recursos humanos e conhecemos como é o trabalho da gestão escolar, da coordenação pedagógica, e da docência. Todas essas observações permitiram reflexões acerca de todo o processo educacional.

Durante as observações em sala de aula percebemos que o ensino além de estar voltado para concepções tradicionais, o ensino é passado de forma fragmentada e descontextualizada.

A princípio percebemos a dificuldades dos alunos em desenvolver seus conhecimentos, e um grande déficit em relação à leitura e a escrita, mas não nos cabe fazer conclusões acerca do que gera essas dificuldades, uma vez que o tempo de observação foi muito curto e também por não conhecermos bem a realidade social dos alunos.

Portanto, diante de tudo observado só fez reforçar aquilo que acreditamos que é o ensino interdisciplinar e contextualizado, uma vez que as relações construídas fora do contexto escolar são relações feitas como redes que se interligam, e o conhecimento vão se construindo desta forma. A escola jamais pode negar essa forma e essa realidade dos seus alunos, e continuar fragmentando o conhecimento, tolhendo seus alunos de plena participação social, uma vez que ela é uma instituição social formadora de opiniões e não um agente de controle social.



PERFIL DA TURMA


 
A turma que atuei, era alunos oriundos do 5º ano do Ensino Fundamental I, vespertino do Instituto de Educação Régis Pacheco, está é composta por 33 alunos, sendo uma turma atípica, pois apresentava um alto índice de distorção idade x série, por isso, apresentavam-se desmotivados, já que os assuntos que a escola estava trabalhando já não despertava o interesse do mesmos.

Assim buscando conhecê-los um pouco mais aplicamos um questionário sócio cultural econômico, onde obtemos os seguintes resultados: os alunos são provenientes dos bairros Jequiezinho, São Judas Tadeu, São Luis e Campo do América, com uma faixa etária que oscila entre nove e dezesseis anos, o que demonstra a distorção idade/série, a maioria dos alunos são católicos e evangélicos, possuem uma estrutura familiar padrão (pai, mãe e irmãos), onde quase todos integrantes trabalha para compor a renda familiar, fato este que faz com que a maioria dos alunos venha sozinho para a escola e com que, seus familiares não participem das reuniões promovidas pela escola, contudo, os educandos demonstram estar socializados com os colegas e professor, apresentam gosto pela escola, devido a merenda, disponibilidade de recursos didáticos “livros”, interação com os colegas e estrutura física, no entanto dizem que a instituição de ensino deveria melhorar o mobiliários da sala e os ventiladores, assim como reduzir a quantidade de alunos por sala e disponibilizar uma docente mais motivadora e que os ajudassem a descobrir o mundo da leitura, uma vez que, apesar da vontade de aprender a ler, muitos ainda não o fazem, adoram brincar e praticar esportes com os colegas, as maiores dificuldades apontada pelos alunos são os conteúdos abordados pelas disciplinas português, matemática e geografia, apesar disso, dizem gostar mais das disciplinas Língua Portuguesa e Matemática, os mesmo dizem não apresentam traumas nem fazerem uso de medicamentos. Assim concluír que o perfil sócio econômico cultural de nossos alunos, condiz com o da maioria dos alunos ingressos nas escolas publicas brasileiras.



ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE O PAPEL DA EDUCAÇÃO DA VIDA DOS ALUNOS

A educação tem se tornado cada vez mais presente na dinâmica das práticas sociais, caracterizando-se por sua vasta amplitude e extensa variedade de processos, sejam eles no campo da educação formal ou informal.

“Só existira democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara democracias. Essa máquina é a da escola pública.” ( Anísio Teixeira). Assim como nesta citação o Brasil no período Republicano procurou revitalizar a educação popular redirecionando os padrões didáticos pedagógicos incentivados pelas idéias da escola novista que fracassaram devido ao Estado Novo e a supremacia dos Estados Unidos da América no mundo.

Devido às transformações políticas, econômicas e sociais ocorridas no cenário mundial, o Brasil no período republicano passou a atentar-se para a educação, especialmente a de base, pois esperava que os problemas sociais existentes só pudessem ser solucionados através da extensão da escola elementar ao povo, sendo assim o alto índice de analfabetismo passou a preocupar os republicanos.

Com isso fez-se necessário uma reorganização didática e pedagógica da escola tendo como a principal mudança uma educação democrática que expressasse liberdade, com um currículo adaptado ao contexto escolar e que tivesse o aluno com centro dos objetivos.

No Estado novo, com a Constituição de 1937, ocorre um retrocesso nas conquistas do movimento renovador do ensino, pois o Estado passou a ter um papel secundário na educação, desta forma, após Getúlio ser deposto, com a instalação da supremacia americana gera-se um novo conceito em educação devido à forte influencia de Paulo Freire como uma pedagogia da humanização, transformadora e libertadora do homem oprimido.

Outro aspecto que podemos observar é ao analisarmos o sistema educacional encontramos facilmente a forte presença da teoria desenvolvida pelo psicólogo Lev Vygotsky principalmente em sua dimensão social, já que o mesmo preocupa-se fundamentalmente com a interação social, pois é no plano inter-subjetivo, ou seja, nas trocas do sujeito/ objeto social, que originam as funções mentais superiores.

Vygotsky assim como os grandes pensadores da educação atual defendem a idéia que quanto maior for o aprendizado, maior será o desenvolvimento, porém eles chamam a atenção de que isso não justifica o ensino enciclopédia, pois a pessoa só aprende quando as informações fazem sentido para ela já que o papel do meio social e cultural, não é ativador, mas de formador das funções psicológicas.

Sendo assim, a escola não pode ficar alheia as mudanças profundas e aceleradas que ocorrem na sociedade, uma vez que está tem uma profunda importância pois é capaz de instrumentalizar os alunos para que estes possam intervir na atual sociedade e provocar as mudanças necessárias para amenizar os altos índices de desigualdade social, que assola a nossa sociedade.

Deste modo, algumas reflexões foram passando por minha mente ao término da pesquisa para elaboração do projeto de intervenção de estágio, entre muitas idéias, que mesmo diante das dificuldades encontradas, é imprescindível ao professor que ele deixe a simples ação de executar se tornado um ser passivo e passe a pensar e/ou repensar a sua pratica se tornado ativo, de forma que ele conheça as questões da educação, nos aspectos histórico, sócio-cultural e reconheça o seu aluno nas questões afetivas, cognitiva e social, refletindo assim criticamente sobre o seu papel e identidade.



EMFIM O ESTÁGIO DE REGÊNCIA


 


O estágio de regência teve inicio no dia três de maio, onde eu e minha colega de estágio Sayonara Fernandes, trabalhamos com um projeto de leitura intitulado “ No ritmo da música embalamos sonhos e tecemos leitores”, objetivando cumprir as exigências da disciplina de Práticas Pedagógicas no Ensino Fundamental, ministrada pela professora Socorro Cabral Pereira.

A escolha do projeto de leitura, tendo como gênero textual, a música, justificou-se, por saber da importância da leitura na sociedade contemporânea, e por a música estar presente no cotidiano de cada indivíduo, tentamos transformar a sala de aula num espaço de leitura estimulando e explorando os vários sentidos do texto de forma que se faça a leitura prazerosa e significativa.

Para Resende (1993), também concebe a leitura como possibilidade de abertura ao mundo e caminho para um conhecimento mais aprofundado do leitor sobre si mesmo, no entanto ele conceitua a leitura como:
 
[...] um ato de abertura para o mundo. A cada mergulho nas camadas simbólicas dos livros, emerge-se vendo o universo interior e exterior com mais claridade. Entra-se no território da palavra com tudo o que se é e se leu até então, e a volta se faz com novas dimensões, que levam a re-inaugurar o que já se sabia antes (p. 164).
 
Com isso percebe-se que a leitura é imprescindível na vida das pessoas e que a escola tem uma grande função em formar cidadãos letrados e seguros de sua linguagem escrita, para estar preparado para o uso individual e para as demandas da sociedade, pois para a escola conseguir um bom resultado de cidadãos alfabetizados é preciso que haja práticas de ensino de leitura e escrita.

Assim fomos caminhando a cada dia, durante a primeira semana muitos desafios e reflexões foram surgindo, pois encontramos alunos desmotivados, sem perceber, qual a verdadeira função da escola em suas vidas. Já que estes em sua maioria eram repetentes e tinham a escola como um ato mecânico, sem prazer. Contudo está primeira semana nos serviu de espelho para notamos que as intervenções do projeto estavam motivando e elevando o grau de interesse da turma. Desta forma nossas reflexões nos lembram os estudos sobre as categorias de Fuller (1969) e dos problemas de Veenman (1984), que apontam a desmotivação dos alunos pelo o aprendizado como um dos desafios do educador. Os assuntos abordados por estes teóricos também foram sentidos por nós, tais como: turma numerosa, relação entre os colegas, gestão das diferenças individuais dos alunos, gestão dos problemas individuais dos alunos, determinação do nível de aprendizagem dos alunos, e alunos com baixo ritmo de aprendizagem, avaliação dos trabalhos dos alunos.

Contudo, continuamos prosseguindo no estágio, para isso buscamos fazer diversas atividades, como dinâmicas de apresentação e motivação, receitas (beijo caboclo), diversas formas de leituras sendo que os mais usados foram : a leitura decifratória é aquela em que a atenção e o esforço do leitor se dissipam principalmente na decifração. É típica de indivíduos que estão se familiarizando com o código como os que estão sendo alfabetizados ou aprendendo uma segunda língua; Leitura fonológica, praticada tanto verbal como mentalmente, é a tradução de um código visual para um código acústico. O signo visual é convertido em fonema, palavra, frase; Leitura integral é feita palavra por palavra, linha a linha, sem qualquer pretensão; Leitura seletiva, o leitor tem objetivos previamente estabelecidos, como encontrar palavras-chave e elementos de seu interesse.
 
Outro ponto alto do nosso estágio, foi a utilização de vários recursos didáticos que instrumentalizava, a nossa aula para que ela torna-se mais significativa para nossos alunos, o trabalho em grupo, duplas e trios também foi contemplado com o objetivo dinamizar o processo de socialização de nossos alunos, assim construímos maquetes, produzimos mapas, cartazes e diversos matérias concretos para o trabalho com a matemática.

Assim, foram se passando os vinte dias letivos que passamos juntos e ficou a certeza que boa parte de nossos objetivos foram alcançados e que a escola necessita realizar um projeto diferenciado buscando atender a demanda destes alunos que ainda não estão alfabetizados e que necessitam vê sua auto estima regatada.



ENCERRAMENTO DO ESTÁGIO
 
Nosso estágio teve sua culminância, no dia 26 de maio com uma exposição das produções de nossos alunos durante o estágio (Banner com a biografia do cantor homenageado, exercícios, avaliações, trabalhos em grupo, e telas que os alunos pintaram representando a compreensão da música trabalhada e escolhida pela sala) seguida de apresentações cenicas no auditório do IERP. Como trabalhamos com o projeto de música, cada dupla ficou responsável pela apresentação de um gênero musical, que foi dividido da seguinte maneira: Sayonara e Fernando com forró; Ivonélia e Janyne com sertanejo; Eliana e xavier com Gospel; Tiara e Aline com MPB e Graziela e Luana com Axé. Após este momento foi servido um lanche típico baiana toda comunidade escolar.
 
Este foi um momento rico e de grande emoção e alegria, pois sintetizou o aprendizado de nosso alunos durante os dias de estágios, mostrando que uma escola viva é capaz de transformar um sala de aula desmotiva em uma turma com alunos ativos e participantes, com sede de conhecimento de vida.

 
REFLEXÕES COM BASE NO ESTÁGIO SOBRE INSTRUMENTOS PARA UM ENSINO DE QUALIDADE

 
A função primordial da escola é ensinar. Se os alunos não aprendem, o problema está na escola: na forma como ela funciona e na forma como se organizada.

Desta forma uma escola eficaz deve apresentar as seguintes características: senso de missão, Bons professores, ênfase na aprendizagem, expectativas elevadas, consistência, avaliação, ambiente agradável e ordeiro, presença, exemplo e abertura a comunidade. Para que isso ocorra faz-se necessário à elaboração de alguns instrumentos, que devem ser escolhidos e utilizados no cotidiano da Unidade de Ensino, tais como: O Projeto Político Pedagógico; o Plano de Desenvolvimento da Escola; Plano de Curso; Plano de Aula; recursos materiais e didáticos; e instrumentos de avaliação.

A autonomia da escola é uma construção social e política, que se dá pela interação dos diferentes atores, do sistema e das escolas, num processo democrático que supõem liberdade, participação, pluralismo e responsabilidade. O Estabelecimento de Ensino conquista a autonomia na vivência da Gestão democrática, assumindo seu papel educativo na formação de uma “comunidade da escola”, abrangendo dirigentes, professores, funcionários, alunos, pais , vizinhança, associações, lideranças locais, empresas, que será aliada na tarefa educativa e na empreitada de zelar pelo patrimônio que é de todos: o conhecimento e a própria escola.

Para isso, a escola necessita ter a sua frente um gestor com uma visão de estratégia e conjunto, que tome decisões eficazmente, desenvolvendo um trabalho com organização e planejamento, mostrando conhecimentos da política e da legislação educacional com competência tanto administrativa quanto pedagógica, estando assim apto a controlar, monitorar e avaliar todo o processo.

Um outro alicerce para a qualidade de ensino é a proposta pedagógica que deve iniciar pela reflexão sobre importantes questões: O que a escola deve ensinar para atingir seus objetivos educacionais? Como a escola se propõe a ensinar, para que os alunos aprendam? Como se articulam as diversas pessoas e atividades da escola? Como a escola se propõe a avaliar o resultado do seu trabalho, tendo em vista a aprendizagem dos alunos?

Para refletir sobre estas questões faz-se necessário o conhecimento sobre as principais diretrizes que a escola tem que seguir ou que servem de orientação. Tais como: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB 9394/96, conhecida como a Lei de Darcy Ribeiro, leis estaduais e diretrizes da Secretaria de Educação, ou de Conselhos de Educação.

A partir deste conhecimento a escola define como vai organizar o ensino, dentro de cada nível (pré-escola, fundamental e médio): por séries, ciclos ou outra forma de organização. Para cada série ou ciclo definirá as disciplinas ou áreas de estudo, os conteúdos e objetivos a serem alcançados a cada ano. Fundamentando desta forma as razões para a escolha da forma de enturmação, programas e currículos, métodos e técnicas de ensino, a integração entre pessoas e atividades da Unidade de Ensino.

Desta maneira outra base importante para a qualidade de ensino é o currículo, por entender que este é o elemento central do projeto pedagógico, pois ele viabiliza o processo de ensino e aprendizagem. Assim sendo a elaboração do mesmo consiste em um processo social, no qual convivem face a face os fatores lógicos, epistemológicos, intelectuais e determinantes sociais como o poder, conflitos, propósitos de dominação ligados a fatores relevantes que proporcionam a desigualdade social.

Outro embasamento da escola eficaz é avaliação dos resultados que deve conter, o julgamento do rendimento dos alunos assim como verificação de outros aspectos do currículo e da proposta pedagógica, já que estes devem ser percebidos como um território a ser contestado diariamente, pois e por meio deles que podemos pensar e legitimar o conhecimento.

Diante disto, cabe aos educadores, especialmente aos gestores fazerem com que os princípios da educação garantidos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sejam cumpridos, desenvolvendo desta forma as características e instrumentos de uma escola eficaz para que o aluno tenha um conhecimento que o torne um ser experiente de sua aprendizagem, pois a mesma está em toda parte do mundo, e que essa mesma educação invade nossa vida. Formando assim um cidadão Critico e participativo, o qual é capaz de pensar e exercitar o seu direito de cidadania de tal modo que possam reivindicar seu direito, influenciado assim na sociedade da qual ele é um sujeito ativo e que se encontra em contates mudanças, alcançado deste modo, a função primordial da escola que é ensinar.












2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Relatos como o seu me enchem de energia para continuar minha caminhada na Pedagogia. Nada melhor que fugir dos teóricos e ouvir quem está ali fazendo acontecer.

    Abraços.

    Ana Paula
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